DIÁRIO DA SELECÇÃO: DIA 3 – “OS PRIMEIROS JOGOS”

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DIA 3 – “OS PRIMEIROS JOGOS”

“Brive, Sexta-Feira, dia 28 de Agosto de 2009,
O primeiro contacto com as outras equipas participantes na Euro Rugby Cup não ocorreu num campo de rugby, mas sim no centro de Brive, na cerimónia de abertura, que envolveu todas as comitivas e que foi liderada por Portugal, os campeões da edição de 2007/2008.
Os Lobos não só animaram a apresentação do torneio, acompanhados pelo conjunto inglês do Ormskirk, como causaram sensação aquando do tocar do nosso hino, um momento especial para nós portugueses, que as outras comitivas reconheceram e saudaram como tal.
Da apresentação do evento, apadrinhado pela Miss Brive 2009, uma acção mais mediática por parte da organização, que no entanto não tinha ainda sequer definido o quadro competitivo, tratando de proceder ao sorteio naquela altura condicionando este ao facto de o Brive, num grupo único, não poder defrontar Portugal na fase inicial, passámos para os campos de jogos, onde os Lobos teriam que enfrentar a Polónia, a Bélgica e o Beziers na primeira fase da ERC 2009.
As partidas deste primeiro dia foram algo agridoces para os atletas nacionais, que tiveram que suar bem mais do que o previsto para assegurar a qualificação para a fase final (recordo que de entre sete equipas – Portugal, Bélgica, Polónia, Beziers, Brive, Clermont e Ormskirk – apenas passavam quatro às meias-finais).
A natureza equilibrada e muito competitiva destes jogos apenas foi contrariada quando os dois favoritos, Portugal e Brive, defrontaram a selecção da Polónia.
O conjunto de leste, primeiro adversário dos nossos jovens, foi derrotado sem apelo nem agravo, num encontro em que se notou uma clara superioridade dos portugueses, tanto nas formações ordenadas como nos alinhamentos, algo que complementado por uma atitude muito agressiva a defender e a atacar, resultou numa boa vitória.
Jogar contra a Bélgica, o nosso segundo adversário do dia, tem-se vindo a tornar numa tradição para Portugal nas selecções jovens, tendo os Sub18 construído uma interessante rivalidade com os belgas e tratando-se da terceira partida dos Sub17 na presente temporada contra esta selecção.
Sendo verdade que o jogo contra o XV belga não correu mal, é importante salientar que este marcou os portugueses, então embalados para aquilo que pensavam vir a ser mais uma vitória e a qualificação para as meias-finais.
Os erros cometidos, numa partida que dura pouco tempo, foram aproveitados pela equipa centro-europeia, que não nos deixou jogar mas também não causou grande perigo em termos de jogo atacante, convertendo duas penalidades e beneficiando de erros nas touches, nos rucks e, na segunda parte, no jogo à mão, por parte dos Lobos.
A derrota frente à Bélgica foi difícil de aceitar, mas foi ultrapassada pela equipa técnica e pelos jogadores com coragem e determinação, aceitando estes que a partida contra o Beziers tinha que ser ganha para assegurarmos a qualificação para a segunda fase.
Num jogo bem mais aberto e bem disputado, uma partida em que os nossos jogadores rectificaram alguns erros e marcaram um excelente ensaio, foi conquistada uma vitória importante perante um adversário valoroso, uma equipa jovem e que não merecia ficar afastada da fase final, algo que com esta derrota sucedeu.
Terminados os jogos deste dia, apuraram-se para as ‘meias’ Brive (1º) e Clermont Auvergne (3º), Portugal (2º) e a Bélgica (4º), ficando de fora deste lote de equipas o Beziers (5º), o Ormskirk (6º) e a Polónia (7º).
Para a comitiva nacional, era preciso ainda recuperar os atletas do desgaste físico e ir para o Stade Amédée-Domenech, onde assistiríamos ao encontro entre Brive e Clermont, um jogo excelente que o XV da casa venceu e que ao intervalo permitiu a todos os participantes na Euro Rugby Cup darem uma volta de honra ao relvado, um momento em que fomos saudados pelos muitos emigrantes presentes e pelos demais adeptos.
Finda a partida fomos todos para o pavilhão jantar e confraternizar com os outros atletas e técnicos, algo que este repórter, durante todos os dias que estivemos em França, aproveitou avidamente para fazer, constatando a imagem positiva que o rugby português tem no estrangeiro e o carinho que a maioria das outras equipas nos tem.
Num dia de altos e baixos, a equipa de Portugal mostrou jogo e qualidade, mostrou capacidade de recuperação e de superação e foi brindada com uma rara oportunidade: vingar, nas meias-finais, a derrota sofrida às mãos da Bélgica, e avançar para a tão desejada final.”