DIÁRIO DA SELECÇÃO: DIA 4 – “O DIA DE TODAS AS FINAIS”

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DIA 4 – “O DIA DE TODAS AS FINAIS”

“Brive, Sábado, dia 29 de Agosto de 2009,

Nunca um dia foi tão importante para a nossa selecção em Brive.
Todo o trabalho que estes jovens fizeram, ao longo de uma semana, visando esta prova, chegava finalmente ao seu termo, com dois jogos que queríamos ganhar e um escudo que pretendíamos voltar a trazer para Portugal.
Os encontros deste dia durariam mais tempo e seriam bem mais difíceis que os anteriores. Para vencermos os belgas, teríamos que nos concentrar no nosso modelo de jogo, esquecendo uma rivalidade e uma derrota que apela mais ao coração do que à cabeça dos jogadores.
Durante os jogos de ontem, Portugal dominou os outros conjuntos em quase todos os aspectos da partida, conquistando bolas nos alinhamentos e nas formações, sendo forte nos avançados e intransponível nos três quartos.
Era muito importante não cometer mais faltas na touche e nos rucks, aspectos em que fomos penalizados pelos árbitros franceses e que deram origem a uma derrota e às penalidades com que os nossos adversários nos marcaram pontos.
Depois de uma manhã de descanso que muito ajudou os jovens portugueses, a necessitarem de umas horas extras de sono, descobrimos que a organização não nos tinha atribuído um único balneário, equipando-se a equipa toda no exterior do estádio e indo realizar um último treino antes do importante jogo.
Assim, após um treino que se realizou enquanto Brive e Clermont disputavam a primeira meia-final, um encontro que os jovens da casa venceram por 10-00, a comitiva reuniu-se toda para um último momento de concentração, antes de entrar em campo.
A segunda meia-final do Euro Rugby Cup 2009 foi um encontro bem disputado entre duas equipas que, rivalidades aparte, realizaram uma boa partida.
Os portugueses estiveram bem melhor desta vez e podiam ter marcado mais pontos mas a defesa belga e algumas faltas no último terço do terreno limitaram a nossa vitória a apenas cinco pontos de diferença.
Apurada para a final, a equipa portuguesa tratou de descansar, de fazer gelo, e de preparar para o grande encontro do torneio, a final contra os vice campeões do ano passado, o Brive.
Aqui, tal como em muitas alturas durante estes dias em França, entrou em acção o inestimável trabalho desta equipa técnica, que tratou de prever todas as necessidades dos jogadores antes de estes iniciarem a partida contra o XV da casa.
A final foi, tal como todas as grandes partidas deste evento, um jogo de combate e de muita luta, com os três quartos franceses a darem muito trabalho à defesa nacional, que com coragem e muita vontade assumiu o controlo do jogo e adiantou-se no marcador, criando uma vantagem que levou para o intervalo.
Iniciada a segunda parte, os nossos Lobos tiveram que defender bastante, sendo que perante o ataque francês, valeram de muito as placagens dos jogadores portugueses, em especial dos avançados, que impediram o conjunto gaulês de passar à frente no marcador.
Os jogadores nacionais defrontaram de igual para igual um XV que, durante todo o evento, recebeu um tratamento bem diferente do que o dado pela organização à nossa comitiva, mereciam mais do que o empate que se registava no fim do tempo regulamentar.
Porém, como isso não sucedeu, partimos para um prolongamento sem morte súbita, um período em que algumas decisões dúbias por parte dos senhores árbitros e duas penalidades convertidas pelo chutador do Brive terminaram com as esperanças portuguesas.
Terminada a partida, cumprimentámos as outras duas equipas e saudamos os muitos espectadores presentes no Stade Amédée-Domenech, em especial os nossos amigos do Ormskirk, que desceram ao relvado para nos cumprimentar e que durante todo o torneio, e em especial na final, apoiaram o XV português.
O Brive acabou por ser um justo vencedor desta edição do Euro Rugby Cup, tendo feito por merecer a vitória. Esta derrota, algo dura para a comitiva nacional, foi rapidamente ultrapassada pelo nosso grupo, que com boa disposição e consciente de ter realizado uma boa prestação, dignificando o rugby português, regressava a casa."